Crônicos & Agudos

O vil metal com pedras e brilhantes

Minissaias acontecem. Com maior incidência no verão. Mas no verão acontecem mesmo as miniblusas, aquelas que vêm em combinação com calças de cós baixíssimo.

As noites quentes de sábado, como foi a do último final de semana, suscitam que essas coisas aconteçam com maior frequência. E ela estava na minha frente, olhando atenta para o monitor do caixa do supermercado, pensando se daria o dinheiro ou precisaria passar no crédito.

Melhor não passar no crédito. As condições de juros nos bancos não estão favoráveis, o câmbio com altas variações e, sem contar a crise de confiança do mercado internacional. Melhor que essas cervejas caibam no meu dinheiro.

Deve ter pensado mais ou menos isso. Estava apreensiva e com sorriso suspenso. Tinha um ar misterioso nos lábios de batom cor de pele. Pouca sombra e cabelos loiros cacheados.

Daria pra filmar um longa-metragem só do que mostrava de pele a distância entre a barra da blusinha e o cós da calça. E elas costumam ser assim quando acontecem: devastadoras. Não havia ética, som, crianças chorando e querendo as balas que os lojistas posicionam estrategicamente na parte inferior das gôndolas…

Nada era suficiente para demover qualquer olhar que se arcava sobre aqueles metros de pele branca e macia. Jovem. Os homens se desviavam das araras de revistas enquanto disfarçavam das respectivas companheiras; e estas olhavam julgando e medindo cada curva com suas próprias frustrações. Ela era unanimidade.

Uma voltinha para conferir se esquecia algo no carrinho, além de ver se ainda olhavam, porém, e revelava-se a sutil desgraça que meu gosto antiquado me impõe. Não há prejulgamento, não se estabelecem divisões ou estigmas. Só que não vejo graça e isso me desgosta tanto quanto marcas de batom vermelho nos dentes ou em filtro de cigarro.

Dependurado e enormemente brilhante e infeliz, um piercing denunciava o descaso com aquele umbigo. Não sei quem foi que disseminou essa moda. Não os piercings, mas eles no umbigo. Só de limpar com cotonete, quase morro. Já não sabia mais se era tão linda.

Ela virou e balançou a peça em movimentos rápidos e consecutivos. E ele deu a volta em torno da base antes de repousar novamente na voltinha que faz quando a pele sai do umbigo e retoma a trajetória plana e tênue até se esconder na borda desfiada do jeans. Plácida.

Acontece.

Anúncios

Arquivado em:crônicas

5 Responses

  1. Júlio disse:

    você deve ter ficado com a cara do selton melo no cheiro do ralo… rs

    abraço, rapaz!

  2. Não conte pra ninguém, mas eu sou o Selton Melo em O cheiro do ralo.
    E é um orgulho ter vc por aqui.

  3. cris disse:

    mas no cheiro do ralo, o sm n era ninguém.

  4. cris disse:

    vc é muito + do q “aquilo”,… pq ama.

  5. De médico e de louco…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Este blog é melhor visualizado
no navegador Mozilla Firefox
Crônicos & Agudos é criação de Danilo Sanches. Além desse, o autor escreve para outro blog.
fevereiro 2009
D S T Q Q S S
« jan   mar »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728

RSS Nanocontos no Twitter

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.
wordpress visitors
%d blogueiros gostam disto: